Receita pra amar

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Texto e fotos: Ierê Ferreira

Revisão: Simone Ferreira

João Martins

Receita pra Amar

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É o segundo registro em CD da carreira desse jovem talento que desde o primeiro disco (Juízo Que Da Samba), já havia mostrado, que veio para empregar suas virtudes a serviço deste gênero musical que confere identidade ao Brasil o SAMBA!

Bom cantor, excelente musico, e, melhor ainda, como compositor, João Martins começou sua carreira com apenas 14 anos e já fez parte de importantes rodas de samba no Rio de Janeiro como Cacique de Ramos, Tia Ciça, Samba Luzia, Beco do Rato e Renascença Clube entre outras.

Receita Pra Amar

É a musica que dá nome ao novíssimo CD lançado em dezembro de 2012 composta por João Martins em parceria com sua Madrinha Dona Ivone Lara e André Lara, esta musica traz no refrão o Lá lá laia característico de Dona Ivone, além de ter um arranjo delicado de percussão de efeitos e um arranjo vocal muito bem elaborado!

Pro Amor Me levar

Leva a assinatura de Fred Camacho e João Martins, é um samba canção para dançar junto, com uma pitada de Ijexá temperando o refrão desta gostosa poesia!

Boas Novas No Jardim

Musica de Inácio Rios e João Martins, dedicada à Joana, filha de João Martins, uma outra vertente de amor com sabor de infância, natureza e um belíssimo arranjo de flautas de Dudu Oliveira. Esta canção é o tempero da alegria e deixa o disco leve e bem mais feliz!!!

Quando A Dor Já É Demais

Traz assinatura de Leandro Fregonesi e João Martins. Letra curta e forte com refrão marcante, características do compositor João Martins! Musica com pequenos solos em quase todos os instrumentos, com destaques para os violões de Marcio Ricardo e Marcelinho Correia, o Bandolim de Dudu Oliveira e o sax de Eduardo Neves. Este samba é para ouvir com bastante atenção e sentir os solos!!!

Amor Calmo

Musica do próprio João Martins. Bom gente, esta é uma canção que eu gostaria de ter feito! Poesia linda e simples, recado claro e um arranjo completo e limpo. Com uma introdução de trompete que ao longo da musica varia, hora abafado e hora não, com arranjo do virtuosíssimo Silvério Pontes e o piano de Andersom Rocha. Parafraseando o próprio autor desta linda canção (é disso que a gente precisa)!!!

Meu Nome É João

De Moacyr Luz e João Martins. Uma brincadeira muito boa com o próprio nome, que ganhou um refrão com a marca e as mumuinhas de Moacyr Luz!!!

Sozinho

De Rafael dos Santos e João Martins. Esta é a musica que mais gosto de ouvir o João Martins Cantar! Os nuances dela combina perfeitamente com sua voz dentro do arranjo, isso sem falar nas lindas frases da cuíca do Guará, do repique de mão de Pipa Vieira e belas rajadas de banjo do próprio João Martins.

Eu Não Vou Pagar O Preço

Mais uma da dupla Inácio Rios e João Martins, pagode com poesia rebelde e bom para riscar o salão com o suingue forte da bateria de Paulo Bomfim.

Madrugada Principal

Musica de Moyseis Marques e João Martins. Mais uma canção que ao meu ver, encaixa perfeitamente na voz de João Martins, com a brilhante participação do parceiro Moyseis Marques um duo que gostaria de ouvir em outras canções.

A Caixa

Musica de Pablo Amaral e João Martins belíssima poesia e arranjos seguros onde as percussões entram em destaque, principalmente o pandeiro de Pipa Vieira, banjo e repique de mão com o próprio João Martins e a bateria firme de Paulo Bonfim.

Pra Sustenir

Musica Wanderley Monteiro e João Martins, mais uma com ijexá no refrão que contagia e liberta as percussões. Destaque para o cavaquinho do regente Wanderson Martins, Pai de João Martins. Destaques também para o surdo de Jorge Alexandre, xequerê e efeitos de Marcelo Amaro, Agogô Thiago Misamply e congas Pedrinho Ferreira.

Falso Amor

Musica de Luiz Henrique, Wandersom Martins e João Martins, excelente samba de quadra com a letra curta e bem composta destaques para o cavaquinho de Wanderson Martins, o repique de mão de Jorge Andre, e as caixas de Thiago Misamply e Guará.

Cordel Dos Mortais

Musica de Pipa Vieira, Pedrinho Ferreira e João Martins. Para fechar o CD com chave de ouro, tinha que ser um samba de partido auto assim como nas boas rodas de samba. Participações especiais dos amigos Chacrinha, Gabrielzinho do Irajá, Juninho Thibau, Baiaco e Fabio Bananada.

RECEITA PRA AMAR

É como diz o próprio autor, uma produção interdependente, parabéns a todos que participaram desta edificação musical!!!

João Martins se apresenta todas as quartas feiras no Favellas partir das 18 horas na rua Mem de Sá 59/61. Maiores informações: 80880330 ou 88059650

João Martins é Samba Identidade Nossa!!!

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Luau de Samba

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Luau de Samba

Há algum tempo eu vinha sonhando em realizar um LUAU dedicado ao SAMBA e esta batalha começou em uma das minhas idas e vindas pela orla da cidade maravilhosa, passeio que costumo fazer montado na minha bicicleta e ouvindo os sambas que marcaram minha vida! Foi em um desses passeios que encontrei o lugar perfeito para a concretização deste desejo o Quiosque Zero Nove, no Aterro do Flamengo, espaço bucólico, arborizado e gerenciado pelo companheiro Tam e sua equipe, a quem desde já quero agradecer pela parceria.

No dia 28 de dezembro de 2012 a LUA iluminou o terreiro e abriu caminho para o nosso samba, que contou com a participação mais que especial da querida Tereza Onã que trouxe o JONGO para nossa roda e a poeira levantou! Caminhando ainda um pouco mais, tivemos a honra de fazer nossa reverencia aos grandes produtores de rodas de sambas populares, Nezio Simões e Negão da Abolição, que sempre nos brindaram com rodas de sambas que alegram nossos corações, a eles, nossas homenagens mais que merecidas!!! Axé e vida longa a esses caras, a quem devemos agradecer sempre!!!

O clima esquentou ainda mais quando chegou à vez dos cantores e compositores Edinho Oliveira, Elias José e a pastora Dinha do Samba do Buraco do Galo, a quem devemos agradecer por terem levado todo o clima de Oswaldo Cruz para o nosso Luau!!! E quem nunca foi ao Samba do Buraco do Galo fica aqui a nossa dica dia 05 de janeiro de 2013, estaremos juntos em Oswaldo Cruz!!!

Também queremos agradecer aos amigos que deram canjas com sabor de quero mais. São eles; Nego Tema Reper internacional, Bochecha e Nina Rosa, a cantora revelação Elizabeth MaiaRegina Café, primeira ritmista feminina da bateria da Mangueira, ao grande Ivan Milanês, e a toda galera do Samba de Benfica nosso muito obrigado.

Agora os nossos agradecimentos irão para os músicos e amigos de sempre: Gil Ribeiro, Pipa Vieira, Junior Parente, Tico do Salgueiro, Mascot, Diego e Andersom de Souza, com quem sempre queremos estar para fazer um samba em forma de oração!!!

Desta vez vou agradecer na primeira pessoa, a quem acreditou e muito se dedicou neste trabalho, obrigado, muito obrigado de coração, Simone Ferreira, Beth Serra, Rafael Ferreira, Luiz Bico e Pedro, vocês são, mais muito mais, que os vendavais que acordaram as cordilheiras! Obrigado…

Por fim, queremos agradecer a todas as pessoas que nos deram de presente, a presença no nosso LUAU DO SAMBA, aos aniversariantes que foram comemorar seus verões. Aos loucos, poetas, cabrochas e compositores que também são para nós, fonte de inspiração!!!

MUITO OBRIGADO e até nosso próximo LUAU DO SAMBA.

Ierê Ferreira

Tempero Carioca

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Por: Ierê Ferreira

Fotos: Ierê Ferreira

 

Coloque uma pegada do surdo de Marquinho Basílio, uma porção de percussão de efeitos dos percussionistas cascudos Marcelo Pizzote, Pelé e Beloba, uma dose dos acordes envenenados do cavaquinista Serginho Procópio, a vibração dos bordões do pinho de Evandro Lima, adicione sábios versos de improviso do professor Marquinho China e decore com a malandragem e malemolência do cantor e compositor Jorge Agrião.

Misture tudo isso no caldeirão de gente bonita que frequenta o Carioca da Gema e você terá o prazer de degustar um dos melhores samba que a cidade maravilhosa tem para oferecer.

O grupo Tempero Carioca, este ano, completou sete anos de existência e vem mostrando seu trabalho de militância no samba tradicional e conquistando o publico frequentador das casas da capital da boemia a Lapa.

 Segundo o cantor e compositor Bira da Vila, o grupo Tempero Carioca traz, em sua essência, o entrosamento total das levadas dos sambas de antigamente com molhos de partido alto, calango e versos de improviso, mostrando a preservação e a valorização do samba carioca. Ele completa dizendo que o grupo tem um vasto repertório apurado, afinado, existindo uma coerência entre o que se canta com o que se toca. E esse é um dos “grandes baratos” desse grupo.

 O Professor Ubirany do grupo Fundo de Quintal agradece por poder presenciar a versatilidade do grupo Tempero Carioca e afirma: – “Isso não é um grupo é uma seleção! Seleção de músicos que curtem e tocam uma seleção do bom samba tradicional”.

Que bom que o Tempero tem todos os ingredientes do samba tradicional. Samba que o Fundo de Quintal curte e sempre defendeu. Ubiraní finaliza dizendo: – “Seja sambista também, mas seja adepto do samba tradicional, assim como o Tempero Carioca.

O grupo Tempero Carioca se apresenta no Carioca da Gema 2 vezes ao mês sempre às quintas- feiras. Maiores informações no site:

 http://www.barcariocadagema.com.br

 Tempero Carioca é Samba Identidade Nossa.

Agosto de Candeia e Monarco

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Dia 17 de agosto dia de dois dos maiores nomes da historia do samba: Antonio Candeia Filho vulgo “Candeia” que, se estivesse vivo, teria feito 75 anos porém em 1978, aos 43 anos nos deixou para apresentar suas obras aos DEUSES e o Portelense mais ilustre atualmente o Cantor e Compositor Sr Hildemar Diniz Vulgo “Monarco da Portela” que também completou 75 anos de vida e mais de 50 anos nos prestigiando com seus lindos sambas. Por isso vamos nos iluminar com a luz do vencedor e ajustar nossos corações em desalinhos ao som dos mestres Candeia e Monarco AXÉ… 

Beth Carvalho

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Beth Carvalho Madrinha de Sua Eminência Negra… O Samba.

Fotos e adaptação de texto: Ierê Ferreira

Revisão: Sylvia Helena Arcuri

 

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ELIZABETH SANTOS LEAL DE CARVALHO nasceu no Rio de Janeiro, no dia 05 de maio de 1946. Filha de João Francisco Leal de Carvalho e Maria Nair Santos Leal de Carvalho e irmã de Vânia Santos Leal de Carvalho. Seu contato com a música foi incentivado pela família, ainda na infância. Aos oito anos, ouvia emocionada as canções de Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida grandes amigos de seu pai. Sua avó Ressú, tocava bandolim e violão. Nas festinhas e reuniões musicais dos anos 60 surgiu a cantora, influenciada por tudo isso e pela Bossa Nova.

Em 1964, seu pai é cassado pelo golpe militar por ter pensamentos de esquerda.  Beth, nessa ocasião, passou a dar aulas de violão para 40 alunos. Foi uma forma de segurar a “barra pesada” que sua família enfrentou com a ditadura. Por causa da formação política vinda de seus pais, Beth Carvalho é uma artista engajada nos movimentos sociais, políticos, culturais de nossa Nação e de outros povos.

Em 1965, gravou o seu primeiro compacto simples, com a música Por quem morreu de amor, de Menescal e Bôscoli.

Em 1966, já envolvida com o samba, promoveu –  6ª feira é dia de samba  –  no antigo Teatro Jovem,  junto  com  Rildo Hora e Trio ABC da Portela (Noca, Colombo e Picolino).

Neste mesmo ano participou do show A Hora e a Vez do Samba, junto com Zé Kéti, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Picolino, Anescar do Salgueiro, o apresentador Sargentelli e os atores Grande Otelo e Milton Morais.

Vieram os festivais e Beth participou de quase todos: Festival Internacional da Canção – FIC, Festival Universitário, Brasil Canta no Rio, entre outros. No FIC de 68, conquistou o 3º lugar com Andança, de Edmundo Souto, Paulinho Tapajós e Danilo Caymmi, a partir desse evento ficou conhecida em todo o país. Além de seu 1º grande sucesso, Andança é o título de seu primeiro LP, (1969).

A partir de 1972, passou a lançar um disco por ano, tornando-se sucesso de vendas, emplacando vários sucessos como 1.800 Colinas, Saco de Feijão, Olho por Olho, Coisinha do Pai, Firme e Forte, Vou Festejar, entre outros.

Beth Carvalho tem reconhecida a sua característica de resgatar e revelar músicos e compositores do samba.

Em 1972, gravou a música Folhas Secas de Nelson Cavaquinho e em 1975, fez o mesmo com Cartola, ao lançar As Rosas Não Falam.

Frequentadora assídua dos pagodes, entre eles os do Cacique de Ramos, Beth Carvalho revelou artistas como Zeca Pagodinho, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Luis Carlos da Vila, Bezerra da Silva, Seu Argemiro, Beto sem Braço, Sombra, Marquinho China, Marquinho PQD, Arranco de Varsóvia, Quinteto em Branco e Preto, O Roda, Rodrigo Carvalho (do Grupo Galo Cantou ) e etc.  Além desses artista foi responsável pela revelação de músicos de peso como: Leandro Braga, Dirceu Leite, Carlinhos 7 cordas, Alceu Maia, Nicolas Krassic, Bira, Ubirany, Ovídio Brito, Vanderson, Marcelo Moreira, Marcelo Pizott, Fred Camacho, Marcio Vanderley, Rodrigo Campelo, Márcia doTantan e outros.

Hoje, com 40 anos de carreira, 29 discos e apresentações em diversas cidades do mundo Beth traz a bagagem “cheia de moral” e boas historias.

No Japão, embora nunca tenha feito shows, vende milhares de cópias e tem sua carreira musical incluída no currículo escolar da Faculdade de Música de Kyoto.

Beth Carvalho conquistou seis Prêmios Sharp, o prêmio de  melhor intérprete do Festival da Canção da TV Globo,  o Prêmio da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco) como maior vendedora de disco, possui 20 Discos de Ouro, 10 de Platina,  centenas de troféus e premiações diversas.

Em 1997, tornou-se uma cantora interplanetária, quando o samba, Coisinha do Pai, música de Jorge Aragão e Almir Guineto, grande sucesso de seu repertório, foi programada pela engenheira brasileira da NASA, Jacqueline Lyra, para acordar o robô na superfície de Marte.

Beth é mangueirense desde criança. É também madrinha da ala de compositores da Mangueira e madrinha da bateria da Verde e Rosa e gravou mais de 70 sambas só de Mangueira.

Carioca da gema, e amiga de Cuba, foi solicitada pela presidência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro a entregar a Fidel Castro, o título de Cidadão Honorário da cidade.

Seu 26º disco, Pagode de Mesa 2, concorreu ao Grammy Latino na categoria melhor disco de samba. Em 2005, Beth fez seu 1º DVD “Beth Carvalho, a Madrinha do Samba”. O CD que saiu junto foi o (29° da carreira).  O DVD é um retrospecto de sua carreira, mas tem cinco músicas inéditas e conta com a participação de seus mestres e de seus afilhados, entre elas:  Zeca Pagodinho, D. Ivone Lara, Monarco, a Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Luís Carlos da Vila, Teresa Cristina, Quinteto em branco e preto e do bandolinista Hamilton de Holanda.

Com 40 anos de carreira, grande parte deles a serviço de sua Eminência Negra, O Samba.  Beth Carvalho é mais que consagrada é sacramentada , A MADRINHA QUE O PRÓPRIO SAMBA ESCOLHEU.

Beth Carvalho é Samba Identidade Nossa!

Fonte de pesquisa: webletras

A morada do samba

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Cacique de Ramos, onde o samba faz sua morada.

Por Ierê Ferreira

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Na reinauguração do Cacique de Ramos tivemos a honra de conversar com Ubirani,  a elegância do samba, músico e fundador deste que é o templo do samba.

E hoje trazemos para os nossos leitores uma boa parte da nossa conversa, recheada com a emoção que nos envolveu dentro da sede do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, que é uma das mais nobres moradas do samba.

Ierê – Depois de anos de batalha aqui no Cacique de Ramos, nessa casa que é o reduto do pagode e do samba no Brasil, reinaugurando esse templo, com uma obra de Oscar Niemeyer, que cuidou para que a tamarineira, consagrada e consagradora de tantos sucessos, permanecesse no lugar. Vendo que tudo foi decorado com carinho e essa festa com tanta gente bonita que compartilha desta alegria renovada, como você está se sentindo?

Ubirani – É um momento de realização. Nós que somos fundadores, que vivenciamos toda essa trajetória do Cacique de Ramos até chegar a esse espaço aqui da Rua Uranos, foi uma trajetória de luta, de batalha mesmo, na acepção da palavra. Onde várias pessoas participaram, todas as participações da maior importância, desde o Bira, presidente e meu irmão, até qualquer um daqueles que chegaram com carinho para sair no carnaval, para participar da roda de samba. Enfim, é um momento de realização, de alegria, um momento de felicidade, por ver coroado com êxito tudo aquilo que batalhamos. Um espaço onde construímos o nosso reduto de samba, agora é um reduto com um pouco mais de sofisticação, mas com o mesmo carinho, com a mesma dedicação. Ver o Cacique, como está, com esta sede, com essa quadra coberta, com esses toquezinhos de modernidade, sem claro, deixar de lado as coisas mais importantes que marcaram e que ainda o marcam, como é o caso da tamarineira, a casa da frente. Ficou um lugar assim, que mistura o mais antigo com o mais moderno. Uma mistura muito gostosa que ressalta aquilo em que nós sempre acreditamos, o samba. Então a felicidade é total, é máxima.

Ierê – Eu gostaria agora que você voltasse um pouco na história, pois fui morador de Olaria e frequentei o Cacique de Ramos, as rodas de sambas das quartas-feiras,  com toda aquela turma fantástica e que hoje, graças a Deus, está por aí fazendo samba da melhor qualidade e com sucesso. Gostaria que você lembrasse um pouco dessa época e destas pessoas, que juntas, fizeram deste lugar um templo do samba. Como por exemplo: Almir Guineto, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Luiz Carlos da Vila e tantos outros.

Ubirani – Se formos buscar, vamos encontrar tantas pessoas que somaram, que foram da maior importância para tudo que aconteceu e que continua acontecendo aqui, eu falaria de alguns que nem se projetaram, mas foram importantes para que tudo acontecesse. Falaria de Dida, Araguá, Denito, do pessoal da faculdade que me conhece como administrador, ao mesmo tempo em que eu já trabalhava com fisioterapia lá na ABBR. Vinha o pessoal do meu trabalho, médicos, assistentes sociais, todo mundo, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais que se juntava com o pessoal da faculdade de administração, que eu cursava, e fazíamos uma pelada aqui na quarta feira, que até originou esse pagode de quarta-feira. Gosto de falar dessas pessoas que não podem ser esquecidas e que também foram importantes na realização desse projeto, um projeto, não pensado, nem idealizado para ser isso ou aquilo, não, não, tudo muito espontâneo, tudo vindo assim de dentro, assim como o Fundo de Quintal que nunca foi uma coisa bolada, não vou tocar tal instrumento, vou criar um instrumento, ninguém pensou, foram coisas que aconteceram espontaneamente e assim foi esse movimento de samba do Cacique de Ramos, pessoas que gostavam de tocar, de fazer e de dançar o samba, foi crescendo e hoje em dia nós estamos aí. Que prazer de falar desses antigos, assim como falar também de um Almir Guineto, de um Arlindo Cruz, de um Sombrinha, falar de Zeca, não que ele tenha saído daqui mas ele frequentou muito aqui, é como a Beth dizia, bebeu um pouco de água dessa fonte né? Falar de Dudu Nobre, de Deni de Lima falecido, falecido Nelcir figura por quem nós temos o maior carinho, Luis Carlos da Vila, ih caramba! Se for enumerar tem que falar também de Cléber Augusto, essas e outras pessoas que foram pessoas da maior importância.

Ierê – Você se lembra de alguma história engraçada que aconteceu aqui na quadra do Cacique de Ramos com algumas dessas figuras, ou com você mesmo?

Ubirani – História engraçada… foi no dia da chegada do Zeca Pagodinho, nós rimos muito, ele tinha uma viajem para fazer, ele já tava aparecendo, pintando no cenário, então era a primeira viagem que ele faria, ele nem mala tinha e chegou aqui para viajar, com uma sacola, tipo de casas Sendas, (sacola de mercado) com a roupa dele preparada para tomar uma e depois viajar. Coisas assim que a gente não esquece nunca!

Ierê – Estamos muito felizes por ver esta casa reformada e queremos dar os parabéns, ver essa galera toda aqui, reverenciando, porque essa turma está aqui para reverenciar, pois sabemos que o Cacique de Ramos é de extrema importância para os amantes do samba e estamos extremamente felizes com esta reforma. Vida longa ao Cacique de Ramos e ao grupo Fundo de Quintal.

Ubirani – Temos muito prazer em receber essas pessoas, porque sem elas nós não somos ninguém, não é? É essa a relação.

Ierê – Agora, estamos ao lado do meu camarada Renatinho Partideiro.

Renatinho, como é que você  se sente nessa reunião de bambas, vendo essa multidão cantando com alegria e mais uma vez consagrando o Cacique de Ramos como grande referência do nosso samba, do nosso pagode, você que viu desde sua juventude a construção dessa história?

Renatinho Partideiro – Honrado e orgulhoso, acima de tudo, só de ver a alegria do meu presidente, que vem lutando há 49 anos para realizar nosso sonho e só agora conseguiu. Então Cacique não é um, somos todos, enfim, essa pluralidade é que faz a gente ser o que é.

Simplesmente – Ovídio Brito (1945 – 2010)

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Foto: Ierê Ferreira

Texto e foto: Ierê Ferreira

Ele tinha ouvidos ávidos,
Por música.
As mãos calejadas,
Do couro do atabaque e do pandeiro
E sua cuíca chorava de gargalhar.

No coração levava a marca do surdo de primeira,
Nos pés devagar, devagarzinho, influência de Martinho
Negro fera!
Deslizava o miudinho como ninguém pudera.

Jogava no time dos veteranos
Cinqüenta anos de samba, ritmo e melodia
Marca registrada na música e na folia
Bom malandro sem fronteiras
Marginal da poesia

Ovídio Brito…

Teu caminho não parou naquela estrada
Teu samba não calou na madrugada
No dia do músico.

No dia do samba.
As rodas vão ecoar seu nome
Seus sambas e a paz que seu sorriso deixou.
No dia do músico.



[videolog 385880]

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