Apresentação

A conjunção da fotografia e samba como forma de apresentar a  identidade

Dentro de uma sociedade moderna fragmentada, deslocada, transformada, que vive uma espécie de declínio, surgem novas identidades. Identidades que colocam o homem frente a seus conflitos, que podem ser culturais, sociais econômicos, psicológicos e que o converte em um buscador de si mesmo dentro de uma identidade coletiva. Diante dessa procura de identificação apresentar o samba como identidade de um povo e toda carga cultural que vem junto com ele, resgata, de alguma maneira o sujeito unificado esquecido com uma tradição também esquecida ou destorcida que ficou em algum lugar e que já não cabe nesse mundo líquido.

Segundo a crítica de artes, Susan Sontag, as fotografias servem para interpretar o mundo, procuram provas sobre algum fato que nos causa dúvida e são testemunhas da dissolução do tempo.

Fotografa é uma atividade lúdica, que tem entre tantas finalidades comunicar nossas idéias e pensamentos, além de servir como um meio de registrar e divulgar a história, a memória e a cultura de um povo e fazer com essa história e cultura se perpetuem através no tempo não caiam no esquecimento.

A fotografia é única na sua capacidade de congelar para sempre um determinado instante em um momento específico. Talvez seja isso que lhe proporcione um encanto universal. Poder guardar e levar para sempre um instante vivido, que já foi um instante presente que se converte, quase que imediatamente, em passado, mas que será um momento visto e compartilhado no futuro para quem a veja, pois ela funciona com registro.

O samba é indiscutivelmente o gênero musical que confere identidade ao Brasil. Nascido da influência de ritmos africanos sofreu inúmeras modificações por diferentes contingências: econômicas, sociais, culturais e musicais até chegar o ritmo que conhecemos.

Simbolizando primeiro a dança, para anos mais tarde se transformar em composição musical, “O samba” – antes denominado “semba” – foi também chamado de umbigada, batuque, dança de roda, lundu, maxixe, partido alto, batucada, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente.

Com a abolição dos escravos e o fim da Guerra dos Canudos, o Rio de Janeiro ganhou um novo ritmo. A então capital federal acolheu, nos bairros próximos à zona portuária (Saúde, Praça Onze, Morro da Providência e Estácio), a mão de obra dos negros recém libertos e muitos soldados que trouxeram suas famílias da Bahia para estas localidades, pois havia demanda de trabalho braçal e oportunidade de emprego.

Com o incentivo e a força das mulheres baianas zeladores dos Orixás, os quintais das casas logo se tornaram espaços para festas, danças e retomada das tradições. Baianas quituteiras adeptas do Candomblé eram também responsáveis pela manutenção dos rituais africanos na redondeza.

Muitas quituteiras como: Tia Amélia – mãe de Donga; Tia Prisciliana – mãe de João da Baiana; Tia Veridiana – mãe de Chico da Baiana; e a mais famosa de todas, Tia Ciata foram importantes para preservação da nossa história. Foi na casa da Tia Ciata, na Rua Visconde Itaúna 117, na Praça Onze, que o samba ganhou forma, destinado a tornar-se um gênero de música popular.

Um detalhe a ser lembrando, inicialmente o Samba ficou restrito à antiga Praça Onze, ao Estácio e aos morros e aos subúrbios do Rio, pois era proibido e os sambistas eram perseguidos pela polícia. Aos poucos o samba foi penetrando nos meios mais populares, ganhando espaço e conquistando novos adeptos na classe média, através de músicos renomados e de grande sensibilidade.

Hoje o Rio de Janeiro é uma cidade que respira cultura e o samba vence preconceitos a cada dia, graças à força do seu ritmo, além de derrubar barreiras que separam classes sociais e raças, tornando-se nobre por excelência.


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9 Comentários (+add yours?)

  1. Renata Penajoia
    ago 11, 2010 @ 16:13:55

    Querido,

    Muito bacana o seu blog, suas fotos e suas idéias.
    Muito axé na profissão, na arte, na vida e no coração.
    Bjs

    Responder

  2. Andréa
    out 18, 2010 @ 12:21:38

    Amei seu blog, as fotos então…nem se fala. Tenho um blog muito humilde que tbm fala de samba. Vc pode add? Eu sou a Andréa do Serjão, amiga da Sylvia. bjÃO e parabéns!!!

    Responder

  3. Bete Sombra
    out 23, 2010 @ 15:28:50

    Olá! Adorei suas fotos! Muito legal ainda mais se tratando de Samba… samba de raiz!!! Sou filha de indio,sangue bem brasileiro! quem sabe vc não consegue uma fotos da minha tribo?! CAXINOAH, na fronteira do Acre com o Peru.Sou cliente da sua irmã Jassa, estou sempre com ela!!!!
    Abçs

    Responder

  4. Os números de 2010 « Samba Identidade Nossa
    jan 04, 2011 @ 04:36:46

  5. William de Souza Antonio
    maio 31, 2011 @ 17:31:07

    Muito boas as fotos. África berço dos Orixás ,terra da verdadeira magia,onde tudo começou, povo sofredor que morre a cada dia e como uma Fênix renasce do pó do passado e se faz presente no cotidiano do seu próprio passado. Berço de nossa etnia, e porque não dizer, da raça humana, imantada pela magia dos Orixás que até hoje sobrevivem graças as forças de nossa fé, axé ,parabéns e um afro abraço.

    Responder

    • ierefoto
      ago 24, 2011 @ 22:29:41

      Poxa fiquei tão emocionado com essas palavras que só agora consegui responder.
      Willian meu camarada são palavras como as suas que nos dão forças para continuar trilhando nosso caminho e trabalhando em função das coisas em que acreditamos.
      A África é magica nos encanta e traduz muito das nossas vidas! É mãe, guerreira, de tantas lutas e temos que retrata-la com a dignidade que só uma mãe merece ter.
      Obrigado e
      Axé

      Responder

  6. Toto Carlos
    dez 06, 2011 @ 01:44:19

    Iere…
    muito embora eu respeite e ame a África mas a verdade é que é graças aos trabalhos que você e outros vem desenvolvendo,que nossa Mãe querida tem bem ou mal sobrevivido ou aparecido diante de olhos que se fechavam para a realidade…
    Sou seu Fã,continue com esta determinação para que possamos aprender de ti mesmo estando longe.
    seu mano:Carlos Toto.

    Responder

    • ierefoto
      jan 28, 2012 @ 00:28:42

      Toto vc é família não vale, eu te amo de qualquer maneira irmão!
      Mesmo assim obrigado pela força.
      Paz

      Responder

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