Cacique de Ramos, onde o samba faz sua morada.

Por Ierê Ferreira

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Na reinauguração do Cacique de Ramos tivemos a honra de conversar com Ubirani,  a elegância do samba, músico e fundador deste que é o templo do samba.

E hoje trazemos para os nossos leitores uma boa parte da nossa conversa, recheada com a emoção que nos envolveu dentro da sede do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, que é uma das mais nobres moradas do samba.

Ierê – Depois de anos de batalha aqui no Cacique de Ramos, nessa casa que é o reduto do pagode e do samba no Brasil, reinaugurando esse templo, com uma obra de Oscar Niemeyer, que cuidou para que a tamarineira, consagrada e consagradora de tantos sucessos, permanecesse no lugar. Vendo que tudo foi decorado com carinho e essa festa com tanta gente bonita que compartilha desta alegria renovada, como você está se sentindo?

Ubirani – É um momento de realização. Nós que somos fundadores, que vivenciamos toda essa trajetória do Cacique de Ramos até chegar a esse espaço aqui da Rua Uranos, foi uma trajetória de luta, de batalha mesmo, na acepção da palavra. Onde várias pessoas participaram, todas as participações da maior importância, desde o Bira, presidente e meu irmão, até qualquer um daqueles que chegaram com carinho para sair no carnaval, para participar da roda de samba. Enfim, é um momento de realização, de alegria, um momento de felicidade, por ver coroado com êxito tudo aquilo que batalhamos. Um espaço onde construímos o nosso reduto de samba, agora é um reduto com um pouco mais de sofisticação, mas com o mesmo carinho, com a mesma dedicação. Ver o Cacique, como está, com esta sede, com essa quadra coberta, com esses toquezinhos de modernidade, sem claro, deixar de lado as coisas mais importantes que marcaram e que ainda o marcam, como é o caso da tamarineira, a casa da frente. Ficou um lugar assim, que mistura o mais antigo com o mais moderno. Uma mistura muito gostosa que ressalta aquilo em que nós sempre acreditamos, o samba. Então a felicidade é total, é máxima.

Ierê – Eu gostaria agora que você voltasse um pouco na história, pois fui morador de Olaria e frequentei o Cacique de Ramos, as rodas de sambas das quartas-feiras,  com toda aquela turma fantástica e que hoje, graças a Deus, está por aí fazendo samba da melhor qualidade e com sucesso. Gostaria que você lembrasse um pouco dessa época e destas pessoas, que juntas, fizeram deste lugar um templo do samba. Como por exemplo: Almir Guineto, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Luiz Carlos da Vila e tantos outros.

Ubirani – Se formos buscar, vamos encontrar tantas pessoas que somaram, que foram da maior importância para tudo que aconteceu e que continua acontecendo aqui, eu falaria de alguns que nem se projetaram, mas foram importantes para que tudo acontecesse. Falaria de Dida, Araguá, Denito, do pessoal da faculdade que me conhece como administrador, ao mesmo tempo em que eu já trabalhava com fisioterapia lá na ABBR. Vinha o pessoal do meu trabalho, médicos, assistentes sociais, todo mundo, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais que se juntava com o pessoal da faculdade de administração, que eu cursava, e fazíamos uma pelada aqui na quarta feira, que até originou esse pagode de quarta-feira. Gosto de falar dessas pessoas que não podem ser esquecidas e que também foram importantes na realização desse projeto, um projeto, não pensado, nem idealizado para ser isso ou aquilo, não, não, tudo muito espontâneo, tudo vindo assim de dentro, assim como o Fundo de Quintal que nunca foi uma coisa bolada, não vou tocar tal instrumento, vou criar um instrumento, ninguém pensou, foram coisas que aconteceram espontaneamente e assim foi esse movimento de samba do Cacique de Ramos, pessoas que gostavam de tocar, de fazer e de dançar o samba, foi crescendo e hoje em dia nós estamos aí. Que prazer de falar desses antigos, assim como falar também de um Almir Guineto, de um Arlindo Cruz, de um Sombrinha, falar de Zeca, não que ele tenha saído daqui mas ele frequentou muito aqui, é como a Beth dizia, bebeu um pouco de água dessa fonte né? Falar de Dudu Nobre, de Deni de Lima falecido, falecido Nelcir figura por quem nós temos o maior carinho, Luis Carlos da Vila, ih caramba! Se for enumerar tem que falar também de Cléber Augusto, essas e outras pessoas que foram pessoas da maior importância.

Ierê – Você se lembra de alguma história engraçada que aconteceu aqui na quadra do Cacique de Ramos com algumas dessas figuras, ou com você mesmo?

Ubirani – História engraçada… foi no dia da chegada do Zeca Pagodinho, nós rimos muito, ele tinha uma viajem para fazer, ele já tava aparecendo, pintando no cenário, então era a primeira viagem que ele faria, ele nem mala tinha e chegou aqui para viajar, com uma sacola, tipo de casas Sendas, (sacola de mercado) com a roupa dele preparada para tomar uma e depois viajar. Coisas assim que a gente não esquece nunca!

Ierê – Estamos muito felizes por ver esta casa reformada e queremos dar os parabéns, ver essa galera toda aqui, reverenciando, porque essa turma está aqui para reverenciar, pois sabemos que o Cacique de Ramos é de extrema importância para os amantes do samba e estamos extremamente felizes com esta reforma. Vida longa ao Cacique de Ramos e ao grupo Fundo de Quintal.

Ubirani – Temos muito prazer em receber essas pessoas, porque sem elas nós não somos ninguém, não é? É essa a relação.

Ierê – Agora, estamos ao lado do meu camarada Renatinho Partideiro.

Renatinho, como é que você  se sente nessa reunião de bambas, vendo essa multidão cantando com alegria e mais uma vez consagrando o Cacique de Ramos como grande referência do nosso samba, do nosso pagode, você que viu desde sua juventude a construção dessa história?

Renatinho Partideiro – Honrado e orgulhoso, acima de tudo, só de ver a alegria do meu presidente, que vem lutando há 49 anos para realizar nosso sonho e só agora conseguiu. Então Cacique não é um, somos todos, enfim, essa pluralidade é que faz a gente ser o que é.

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