Samba Identidade Nossa.

Entrevista o grande cantor, compositor e herdeiro do samba, Diogo Nogueira.

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Demorou, mas hoje publicamos o bate-papo descontraído que tivemos com o parceiro Diogo Nogueira para sabermos um pouquinho desse caminho bacana que ele vem trilhando e podermos contar para os leitores do Samba Identidade Nossa.

 

Ierê Ferreira – Meu camarada Diogo, que bom te encontrar feliz, com esse sorriso bonito e com a casa cheia de gente bonita para te ver cantar.

Conta para gente um pouco da sua história. As pessoas sabem que você gostava de jogar uma bola, que seu negócio era o futebol? Sabem também que o samba sempre esteve presente na sua vida, assim como a Portela? Mas quando você percebeu que o que você realmente queria era o samba mesmo?

 

Diogo Nogueira – Pois é, né cara? Eu passei minha juventude treinando em clubes e tudo mais, mas o samba estava sempre presente lá em casa, nas rodas de samba com meu velho e personalidades. Meu pai era um cara muito festeiro. O samba sempre esteve junto, veio no sangue. Percebi no momento em que o samba me abraçou e eu abracei o samba e vi que não tinha jeito. Foi quando gravei meu primeiro DVD no teatro João Caetano. Na verdade, eu comecei a cantar nas rodas de samba e era tudo como uma brincadeira, era mais para azarar uma gatinha, tomar uma gelada, estar com os amigos batendo um papo, pura diversão. Até que um dia, tive que montar uma banda e cai dentro, mas a ficha só caiu mesmo, quando eu subi no palco do João Caetano e vi todas aquelas câmeras e um público de duas mil pessoas, ai eu falei: não, realmente não tem jeito, o samba me pegou.

 

IF – O samba pega mesmo, pega de jeito e forma uma família não é cara?

Essa comunhão de banda e estrada junta as pessoas que acabam virando uma família mesmo. Acho que é legal falar disso para humanizar essa questão não é?

 

DN – Com certeza irmão! Eu estou com a mesma banda há cinco anos, com a mesma rapaziada e é sempre muita diversão, porque nos relacionamos como amigos e irmãos. Pegamos a estrada, viajamos juntos e depois dos shows surge o momento de ficarmos no camarim, tomando uma gelada, rindo, contando piada, contando histórias.

 

IF – Fala o nome dos componentes da banda para os nossos leitores.

 

DN – Isso é muito importante. Vamos lá, tem o Cacau no surdo, Carlinhos no pandeiro, Sandrinho na batera, Cidão no contrabaixo, Dirceu Leite, que agora esta fazendo parte desta equipe, Henrique Garcia, Wallace Peres e Daniel Felix.

 

IF – Daniel tocou muito com o Terno de Cambraia aqui no Salgueiro.

 

DN – Pois é, somos uma família mesmo! É assim que as coisas fluem, assim que as coisas funcionam.

 

IF – Diogo e o primeiro samba?

Estamos sabendo que a rapaziada está compondo direto e vocês já ganharam vários sambas na Portela e nos vamos falar disso já já.

Mais o primeiro samba, teu primeiro samba como foi, como chegou?

 

DN – Meu primeiro samba foi engraçado… Eu tenho um contato muito forte com a Ligia Santos, filha do Donga, e com o neto do Donga que é o Felipe e com a galera daqui da Tijuca o Cauê, o Rafael Periquito e nós sempre íamos para um sítio que eles têm lá em Mauá, sempre rolava lá o nosso pagode. Era uma molecada que tomava uma cerveja, o Inácio Rios também estava sempre conosco. Certo dia, peguei o  banjo, estávamos sentados na borda da piscina, eu peguei o banjo de sacanagem, e comecei a fazer uns acordes, nessa altura do campeonato ,todo mundo já meio chapado de cerveja e eu nos acordes, de repente, veio um pedacinho de letra, a galera gostou e todo mundo começou a se divertir, fizemos essa samba juntos. Foi assim, no final estava todo mundo cantando o samba.

 

IF – Da para lembrar um pedacinho?

 

DN – Rapaz é difícil lembra tem tanto tempo isso! (risos).

 

IF – Sem problemas. Vamos falar dos vários samba vencedores na Portela.

Qual é a emoção de você fazer um samba com a sua rapaziada na sua escola de samba e este samba ser consagrado? Qual a emoção de ser tantas vezes vencedor de samba enredo na sua escola.

 

DN – É… Quatro anos cara, quatro anos. A primeira vez não dá para esquecer. Você tem filhos, não é? Pois é, se deve ter visto e você estava ali naquela pressão quando eles nasceram é praticamente isso cara. Cada ano é um filho novo que você vê, é uma energia diferente, sempre alto astral. Ainda mais numa escola como a Portela que vem da família com toda a carga histórica lá de casa. Não da para explicar direito qual a emoção, como é este sentimento, é uma energia que, sei lá, é uma luz, uma coisa que deixa agente sempre emocionado, sempre com aquela vibração de querer ver a escola, que tanto tempo está sem ganhar, e quem sabe ganha com um samba meu, porra! É maravilhoso, é como ver um filho nascer.

 

IF – Bom, para encerrarmos e fazermos um som juntos aqui no Salgueiro, eu gostaria de saber, politicamente falando, o samba já foi para o espaço, já tocou em Marte, ganhou o mundo com nomes de grandes monstros sagrados, ensinou e ensina a todos nós.

Você não acha que está na hora do samba assumir uma posição política mais engajada neste país?

 

Diogo Nogueira – Com certeza, e eu acho que o samba esta caminhando, acho que vamos chegar lá na questão política que você citou. Agora eu acho também que temos que melhorar algumas coisas do samba que deixam a desejar, como a postura das pessoas, o caráter das pessoas que lidam com o samba, acho que agente tem que começar a lapidar isso, que ai sim, vai vingar.

 

IF – É isso, Diogo Nogueira, um portelense nato, direto da quadra do Salgueiro, mostrando a força que o samba tem.

 

Samba Identidade Nossa agradece e deseja que Oxalá estenda o manto branco na sua caminhada sempre.  AXÉ.

 

Assista Diogo Nogueira no Palco MPB

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