Por: Ierê Ferreira


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Na noite do dia 10 de setembro de 2010 os cariocas ganharam de presente um encontro musical que entrou para a história do Circo Voador. Gabriel Moura e Seu Jorge reviveram momentos mágicos com o grupo Farofa Carioca, onde começaram as suas carreiras de sucesso como músicos cantores e compositores. O grupo Farofa Carioca surgiu no cenário musical há exatos 13 anos e na época os “caras” revolucionaram a música, misturando samba, jongo, Rip Hop além de outros gêneros e o resultado desta farofa foi o CD “Moro no Brasil”, um disco cheio de swing, humor e críticas sociais que até hoje faz sucesso nas melhores pistas de dança.

Seu Jorge e Gabriel Moura saíram do grupo para se aventurarem em carreira solo e suas composições em parcerias recheiam de sucesso os CDs de ambos.

Naquela época, o grupo Farofa Carioca contava ainda com a genialidade do flautista Bertrand Doussain, um francês carinhosamente apelidado de Bebé da Mangueira, que além de temperar a Farofa com solos da sua flauta mágica, ainda ajudou o percussionista Wellington Coelho a criar o nome da banda. Depois do primeiro disco, Bertrand voltou ao seu país de origem.

O grupo Farofa Carioca resistiu bravamente, demonstrando a força guerreira de Wellington Coelho, Sérgio Granha, Valmir Ribeiro, Carlos Moura, Sandro Marcio e Mario Broder.  Em 2008, esta rapaziada hiper ativa lançou o segundo disco, o CD “Tubo de Ensaio”.

Sexta feira, dia 10 de setembro de 2010, Circo Voador lotado, a família Farofa Carioca toda reunida para a gravação do primeiro DVD da banda. Aproveitei este momento para saber do Seu Jorge como resumiria este encontro.

Seu Jorge – É muito importante, anos depois, reviver nossa historia. Nós nos dividimos, eu Gabriel e Bertrand, cada um foi para um lado e o grupo seguiu e o mais bacana de tudo isso é ver a resistência do grupo no Rio de Janeiro onde muito poucas coisas conseguem resistir. As erosões que vemos na cultura são erosões muito grandes. Esta celebração é muito importante pra nós, porque estamos aqui no Circo Voador e esta formação, a formação original na época, não conseguiu tocar neste lugar e hoje, poder estar aqui fazendo um DVD é muito bom. Cheguei ontem de Los Angeles e estou cansadão, mas revigorado também porque cheguei aqui e encontrei esses “caras”, é como se eu estivesse ensaiado com eles a semana toda, muito maneiro, maior astral. Para quem gosta do Farofa, quem viu o Farofa na época em que começamos esta brincadeira e veio aqui hoje, ficou muito emocionado porque viu todo mundo junto de novo, ainda mais na nossa idade, depois de todos os tipo de especulações que foram feitas quando eu sai do grupo e do porquê que eu sai. Nada disso, 13 anos depois, tem mais importância. Acho que o mais importante agora é entender que esta década é uma década nova, que  estamos prontos e mais maduros, bem mais maduros que antes, para contar uma nova história da música Brasileira, na música Brasileira, com a música do Farofa Carioca, a música que o Farofa resolveu tocar pra si e para as pessoas também. Estou muito feliz de ver e poder participar da festa deste DVD.

Ierê Ferreira – Seu Jorge, gostaria de aproveita este momento para contar aos leitores da nossa coluna sobre esta sua relação forte com o samba e as influências do samba na sua música e na música do Farofa Carioca.

Seu Jorge – Eu nasci no subúrbio do Rio de Janeiro, acompanhei e cresci com tudo isso e a minha relação com o samba é de muita intimidade. Intimidade de quem gosta e respeita, na música que eu faço, o samba me acompanha, porque eu sou “negroide” e não tem outro jeito, o samba é uma música “negroide” e é super bom poder ter este gênero aqui dentro de mim e tocar isso no Brasil e no mundo, tocar para qualquer um. Nascer com o samba, respeitar os amigos do samba. O samba é como o ar que eu respiro, a água que eu bebo, o sono que eu durmo. O samba está embutido em todos estes sentimentos.

Ierê Ferreira – Seu Jorge, para finalizar, gostaria que você resumisse esta frase “Samba Identidade Nossa”.

Seu Jorge – Acho que o samba é uma identidade do Brasil e uma vez no Brasil não precisa nem nascer aqui, mas uma vez no Brasil, morando, passando sufoco neste país, sonhando como todo mundo, o samba é uma identidade nossa e é o jeito da gente estar na vida. Jeito Brasileiro de viver, crescer e sonhar. O samba esta dentro, faz parte, protege e é isso ai o samba é identidade nossa.

A gravação do DVD do Farofa Carioca contou também com a participação da madrinha da Banda e grande sambista Elza Soares. Esta história contaremos em outra ocasião.

Farofa Carioca também é Samba Identidade Nossa!

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