Por Sylvia Helena Arcuri


Peço licença a  Ierê Ferreira e escrevo.

Percebo a roda de samba como uma Mandala que canta a ancestralidade. A comunhão com o outro se instala e cada um que participa dar uma cor, um tom, uma harmonia que combinadas culminam numa grande festa de respeito e liberdade.

O primeiro contato que tive com o partido alto foi através de um tio, frequentador das rodas de samba do Cacique de Ramos, lá pelos idos dos anos 70, em pleno período de silêncio. O samba não se calava e esse meu tio escutava, quase o dia inteiro, o LP Partido em 5. Ainda escuto Candeia, Velha, Casquinha, Anézio, Wilson Moreira, Joãozinho da Pecadora,  Doutô e minha memória busca nas gavetas do passado, dias em que os que tinham quase nada para sobreviver, tinham muito para contar, cantar e mostravam a cara de um povo que precisava se afirmar como tal. Candeia, como tantos outros, foi responsável por essa afirmação. Já houve muitos estudos sobre a identidade, a afirmação, a ancestralidade do povo negro brasileiro e não cabe aqui um estudo aprofundado, portanto vejam esse vídeo encontrado na internet que mostra bem como era e como ainda é cantar dentro da Mandala da Ancestralidade.

Candeia merece todos os elogios, estudos e nosso respeito,  mas hoje apenas digo que ele é:

Samba Identidade Nossa!

Anúncios