Por: Ierê Ferreira

Desta vez o nosso papo de samba traz notícias do Galocanto.

Na verdade já vem cantando há muito tempo e para falar desta rapaziada quero tentar refazer resumidamente este caminho.

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Uma das primeiras rodas de samba dos Arcos da Lapa, era composta pelos bambas: Renatinho Partideiro, Marquinhos de Osvaldo Cruz, Edinho Oliveira e Ivan Milanez entre outros. Foi nesta roda de samba que eu passei a ver alguns integrantes que hoje compõem o grupo Galocanto e comecei a acompanhar a trajetória desta galera, que com perseverança e muito trabalho, vem imprimindo o que há de melhor no samba da cidade maravilhosa. Rodrigo Carvalho – o Biro, Edison Cortes  –  o Dinho e  Lula Matos foram os primeiros que conheci. Logo depois reencontrei a rapaziada engajada na roda de samba da feira da Glória. E era assim,  estávamos sempre nos encontrando pelas rodas de samba, até que  eles começaram uma nova etapa: O Terreiro do Galo, que teve uma bela temporada de sucesso quando reunia, todos os domingos, na quadra da escola São Clemente, grandes nomes do samba e um publico que vinha de todos os  lugares para ver e ouvir o cavaquinho de Pablo Amaral, a marcação de Léo Costinha e o violão de Marcelo Correia, juntamente com os já citados acima. No Terreiro do Galo todos os domingos era aquela festa! O samba comia solto e o compositor João Martins registro assim:

GALOCANTAR

Domingo é dia de samba
O fim de semana mereço esticar
Eu rapidamente me mando pros
Lados de lá
(Pra onde que eu vou?)
Terreiro que acolhe o bamba,
“Sambista de fé” e quem
Quiser chegar
Vambora que já ta na
Hora de “Galocantar”!
É diferente, vem gente
De todo lugar
E a gente sente, o clima no ar
É “fina essa batucada”, é pão
Que alimenta” o nosso sonhar
Vambora que já ta na
Hora de
De Galocantar”!
Perto de verdade, o canto
Da cidade é quintal de casa,
Tão fácil de achar
Vambora que já tá na hora
De Galocantar”

Foi com esta música que o cantor e compositor João Martins venceu o concurso de samba do Terreiro do Galo.

No ano de 2006 o grupo Galocanto lançou o seu primeiro CD com o titulo – Fina Batucada –  um disco autoral, independente, ousado e com personalidade, que contou com a participação da velha guarda do Império, Arlindo Cruz, Ubirany do Fundo de Quintal e a madrinha do samba Beth Carvalho bambas que prazerosamente abraçaram o projeto dos meninos do Galocanto e que com o CD de estréia ganharam a indicação para o premio Tim de melhor grupo de samba.

No dia 06 de Julho estava fotografando o show do grupo Galocanto dentro do projeto: No Principio Era A Roda quando ouvi o vocalista Biro emocionado dizer; Lirismo do Rio é o nosso segundo disco e pela segunda vez somos indicados a um prêmio, desta vez Prêmio da Musica Brasileira. O padrinho Ivan Milanez sorriu orgulhoso dos meninos que ele batizou em sua própria roda de samba.

Lirismo do Rio é mais uma obra primorosa desta rapaziada que não perde a ousadia da juventude. Abrindo os trabalhos desse disco a música Resistência, de Zé Luiz e Nei Lopes aconselha: “Resista que o dever do artista é resistir,  pra não morrer vivo, nem cativo sucumbi”. Samba lindamente interpretado por todos os Galos.

O samba que da nome ao CD, é prata da casa! E pergunta onde o lirismo do Rio está? Lirismo do Rio é um samba swingado e bom de dançar, composição de Edison Cortez, Binho Sá e Alexandre Guichard. Fotografias de Papel é daqueles partidos que nos pega de imediato e nos trazem belas lembranças e os Galo ainda se encarregaram dos versos de improviso no final, este samba é de Fred Camacho e Rodrigo Carvalho, por tanto, prata da casa também. Meu Baio Meus Balaios,  partido alto à moda antiga de Wilson Moreira  é  interpretado por Lula Matos e caprichado nos corais. O Som do Samba, bom para riscar o salão, de Luiz Grande, Marquinhos Diniz e Barberinho Grupo Trio Calafrio. Roçado,  samba forrozado de Edison Cortes, Lula Matos e João Martins que sugere boas lembranças. Samba Oriundo, de Edison Cortes, Wantuir e Niquinho Azevedo.  Agora  é o momento de falar de respeito ao samba e a sua ancestralidade, Baile de Saci,  samba de Toninho Geraes e Toninho Nascimento uma critica bem humorada, e cheia de nonos provérbios. Pátria Amada,  de Ivan Aurélio, Edison Cortez e Floriano Silva é um lindo samba, e bem cadenciado, que retrata fielmente o povo que não se entrega em meio a esta guerra e ainda encontra forçar para cantar. Ilha do Abandono, mais um belo samba de Edison Cortez e Niquinho Azevedo dando ênfase ao amor que  se foi. Sei Chorar,  assinado por Rodrigo Carvalho – o Biro e Fred Camacho, samba que sugere: que cantar supera a dor de uma desilusão. Haja Coração,  de Edu Tardin, Edison Cortez e Paulo Franco mais um belo samba que retrata um romance em desalinho. Velha Estrada, de Edu Tardin e Rodrigo Carvalho mantém esta parte do disco nas estradas do amor e da saudade.  Alforria do Morro, de Marcelo Correia, Fabio Rodrigues e Edison Cortes, samba que me lembra as lindas histórias das Escolas de Samba Império Serrano e Quilombo, que são verdadeiros roteiros cinematográficos. E para fechar esta obra impressa pela rapaziada do Galocanto o samba,  Arte do Povo, de Paulo Franco Mingo e Baiaco que chegam de punhos fechados na defesa desta arte que confere identidade ao Brasil.

Parabéns a esta galera que é Samba Identidade Nossa!


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