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Ao Mestre Com Carinho


Por: Ierê Ferreira

Já que estamos falando de grandes personalidades do mundo do samba, quero brindar a maestria do inquieto Mestre, Doutor, compositor e sambista, Nei Lopes. Um nome que está na história das histórias que o samba tem contado. Um contador de histórias que revela a grandeza de nossa ancestralidade, que ensina o caminho do saber negro, que doma as palavras entre textos, poesias e canções para que as conjuguemos na vida. Suas pesquisas já nos rederam livros e discos que são verdadeiras pérolas.

Um pouco da sua história:

Nei Lopes ingressou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil em 1962. Depois da morte de seu pai, que não era muito a favor de que seu filho cantasse e frequentasse as rodas de samba, assumiu definitivamente o seu lado sambista, desfilando pelo Salgueiro, em 1963. No ano de 1966 formou-se em Direito e exerceu a profissão até 1970. Cantor, compositor, escritor, advogado e historiador, Nei iniciou sua carreira musical na década de 70, participando do LP “Tem Gente Bamba na Roda de Samba”, tendo a sua composição, “Figa de Guiné” (com Reginaldo Bessa), gravada por Alcione. Mais tarde, em parceria com Wilson Moreira, lançou dois discos, “A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes” e “O Partido Muito Alto de Wilson Moreira e Nei Lopes”, relançados em um único CD da série Dois em Um. Gravou também os discos solo “Negro Mesmo” (1983), “Canto Banto”, “Zumbi 300 Anos” (1995) e “Sincopando o Breque” (1999). Entre os sambas mais populares estão “Goiabada Cascão”, “Senhora Liberdade”, “Fidelidade Partidária”, “Coisa da Antiga”, “E Eu não fui convidado” (com Zé Luiz), “Baile no Elite” (com João Nogueira) e “Gostoso Veneno”.

Além de sua atividade musical, Nei Lopes escreve livros e publica artigos sobre a diáspora africana. Por volta de 1978, aprofundou-se no estudo da religião, se tornou um praticante, embora admitisse ver nessa entrega, acima de tudo, uma forma de integração, uma união cultural dos negros. Toda essa cultura e consciência da negritude o tornaram um dos grandes conhecedores da causa negra, fato presente em seus livros e em suas composições, centradas na temática afro-brasileira.

Palavras do mestre:

O Estado de S.Paulo – 10.04.2010

O samba, não acho que ele seja, como se diz, uma forma arcaica, sepultada pela bossa nova e por todo o som universalizante que veio depois. Mesmo porque a bossa de 58 foi apenas uma forma de cantar e tocar samba descoberta por uma garotada esperta que não sabia fazer o que os mais velhos faziam. Mas também não acho que o samba deva ser engessado ou congelado no nicho da “raiz”. Para mim, ele tem mais é que ser pulsante, vibrante, bem cuidado, feito para dançar – como o amplo espectro do som cubano, que colocou a música africana no mercado mundial (mesmo virando world music), e hoje influencia nove entre dez músicas do mundo global, sempre com tambores muito bem explícitos. Diferente da bossa nova, que expulsou o pandeiro e também o cavaquinho. E logo o cavaquinho que é a alma do choro, pedra angular da música instrumental brasileira, e sem o qual, harmoniosamente, o bom samba também não vive.

Nei Lopes é Samba Identidade Nossa!

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